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13/12/2010 às 13h33min

Sem efeito IOF, BC intensifica atuação

A sensação de que o efeito do IOF sobre o câmbio estava chegando ao fim forçou o Banco Central a intensificar sua atuação no mercado. De olho na queda acumulada de 2,66% do dólar frente ao real em sete dias, o BC voltou a realizar dois leilões de compra de moeda americana - um de manhã e outro à tarde -, o que não ocorria desde 10 de novembro. A mão mais firme da autoridade monetária foi capaz de tirar a cotação da mínima do dia, de R$ 1,67, mas foi insuficiente para inverter sua trajetória. No final do dia, a moeda tinha a mesma cotação da véspera, de R$ 1,682. Na opinião de especialistas, a pressão para a queda da moeda americana deve continuar nos próximos dias.

A desvalorização do dólar continua sendo um fenômeno global, que tem como pano de fundo a política de injeção de liquidez do Fed, o Banco Central americano, por meio da compra de títulos públicos, e também da China. Na segunda-feira, declarações do presidente do Fed, Ben Bernanke, de que a economia americana ainda luta para se tornar "autossutentável" sem a ajuda do governo renovou a perspectiva de que o programa de compra de títulos pode se estender para além dos US$ 600 bilhões já anunciados, reforçando ainda mais a queda do dólar.

Quando se observa o desempenho do dólar no mundo, entretanto, o que se vê é que essa desvalorização foi mais acentuada ante o real. Uma das explicações para esse fato é que as ameaças de novas medidas cambiais - que ajudaram a conter o real - perderam força. Nos últimos dias, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez declarações nesse sentido. Ontem, o novo presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou, durante a sabatina no Senado, que o IOF mais alto é parte de um pacote de "medidas prudenciais", de caráter temporário. "São medidas complementares, não são medidas permanentes, mas que resgatam o sistema de câmbio flutuante, que responde mais a fundamentos da economia local", explicou ele aos senadores.

Era essa incerteza, mais do que a medida em si, que ajudava a colocar a cotação de volta para cima do R$ 1,70. "Sem essa ameaça por perto, o mercado diminuiu a cautela e voltou a apostar no dólar mais fraco", afirma o operador de câmbio José Carlos Amado, da corretora Renascença. "A perspectiva de que o BC iniciará a alta nos juros também contribuiu para a queda do dólar", observa o economista do BES Investimento Flavio Serrano.

Ainda que de forma ainda contida, já há sinais de dinheiro de fora chegando ao país, inclusive para a aplicação em renda fixa. Segundo relato de operadores, o anúncio da injeção de US$ 1,8 bilhão no capital do BTG Pactual por parte de fundos soberanos ajudou a reforçar a queda do dólar. Ainda que não se saiba quando esse dinheiro chegará ao país, a notícia leva investidores a se anteciparem e já se posicionarem na ponta vendida.

O mesmo vale para o anúncio da captação de US$ 350 milhões pela Sabesp por meio da emissão de bônus de 10 anos, em um período do ano em que esse tipo de operação não é comum.

Também foram observados investidores estrangeiros voltando a aplicar em taxa de juros, seja na BM&F, seja por meio da aquisição de títulos públicos. Ontem, o Tesouro Nacional ofertou NTN-Bs (títulos atrelados ao IPCA) e, segundo relato de especialistas, houve um investidor estrangeiro comprando um lote expressivo, o que não se via há semanas. "O efeito do IOF não desapareceu por completo, o imposto mais alto ainda é um elemento que intimida o investidor de curto prazo. A questão é que, com o excesso de liquidez no mundo e com um discurso fiscal que agrada ao mercado, outro tipo de investidor pode chegar ao Brasil", afirma um profissional, que prefere não se identificar.

Para o economista-chefe do BTG Pactual e ex-diretor de política econômica do Banco Central, Eduardo Loyo, o esforço de injeção de liquidez nos mercados dos bancos centrais dos países ricos tem feito com que a busca por ativos de risco e por commodities se amplie, com impactos no Brasil. "A força da economia brasileira e a estabilidade política fazem com que a taxa de câmbio responda a outras questões exógenas ao país", afirma Loyo. Segundo ele, hoje, o que determina a taxa de câmbio no Brasil acima de tudo são três itens: os preços dos commodities, a relação entre o dólar e outras moedas e o risco-Brasil medido pelo spread sobre a Libor (taxa interbancária de juros) do CDS (Credit Default Swap, ou swap de crédito), da dívida externa do Brasil, de vencimento em 10 anos. "Mesmo o rendimento do CDS é determinado mais pelo apetite global pelo risco do que pela percepção sobre o Brasil", diz. Como o câmbio se comporta ao sabor dessas três variáveis, segundo ele, o diferencial entre os juros internos e externos tem influência, mas pouco. Para Ilan Goldfajn, economista-chefe e sócio do Itaú BBA, acredita que o dólar vai oscilar de R$ 1,80 a R$ 1,70 no próximo ano, taxa sustentável para o país. (Colaborou Cristiane Perini Lucchesi)

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